NewsCamp edição II: saldo final

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A segunda edição do NewsCamp, realizado no último sábado, 12 de abril, no espaço Gafanhoto, rendeu boas discussões. A desconferência contou com a presença de aproximadamente vinte pessoas, entre elas jornalistas, profissionais de mídia, relações públicas e marketing, blogueiros e estudantes de jornalismo.

Os temas discorridos a partir de agora são totalmente voltados aos interesses desse blog. Para saber mais sobre outros temas abordados, leia o que Ceila escreveu. No próprio blog do NewsCamp serão linkados todos os posts relacionados ao evento, então, por favor, não limite sua leitura até aqui.🙂

Assessoria de Imprensa na era digital
As empresas têm de se adaptar o mais rápido possível ao novo modelo estipulado pelo avanço da internet e, como se não fosse suficiente, ter de acompanhar cada segundo de mudanças no mercado para não ficar atrás da concorrência. Não é diferente quando essa preocupação bate na porta de Relações Públicas.

As agências e profissionais de Assessoria de Imprensa agora têm o desafio de se atualizarem com as novas ferramentas de comunicação existentes no mundo digital e, assim, oferecer o que for mais viável ao seu cliente. Entretanto, há um obstáculo em ambos os lados: resistência. Conscientizar que é necessário mudar a cultura interna de uma organização não é fácil, ainda mais quando seus colaboradores não estão preparados ou, pior, não se motivam para tal iniciativa.

Se a cultura interna consegue se adaptar facilmente às novas tendências, um novo obstáculo surge: fazer com que seu cliente entenda e aceite as novas formas de divulgação. Mesmo o press release, que por enquanto é uma ferramenta muito utilizada, já possui uma distribuição bem diferente, inclusive a rapidez com que ele é disseminado: e-mail. Além disso, cada empresa ainda deve se preocupar com a atualização das informações institucionais nos sites ou portais, necessárias para agilizar o trabalho da imprensa.

O press release “atual” é apenas um exemplo de como as empresas não estão acostumadas com mudanças. E é aqui que RP entra em ação: educar e orientar seu cliente. A própria empresa, às vezes ignorante da variedade de mídias que podem ser aplicadas, quando se depara com alguma delas, rapidamente recorre à sua agência sem ao menos saber do que se trata. Além da euforia amadora e precipitada, ela pede por um retorno tangível, ou seja, números que comprovem se o resultado obtido pela ação online foi satisfatório.

O foco é relacionamento, não estamos falando de ações de marketing. Para isso, as métricas onlines são concisas e é possível realizar um acompanhamento periódico através de resultados parciais, seja através de banner, e-mail marketing ou SEO. Para se trabalhar com relacionamento, as redes sociais são o meio principal para medir no termômetro a imagem da empresa. Estar atualizado com fóruns e comunidades criadas na internet é vital para resguardar a visibilidade da empresa. Contudo, fazer o follow-up de todas as listas de discussão e/ou comunidades – o Orkut ainda é a rede social mais conhecida entre os brasileiros – é uma tarefa complexa e praticamente impossível de executar plenamente.

Blog corporativo, transparência e jabá
O blog se tornou uma das ferramentas de comunicação mais utilizadas pelos internautas para a livre expressão de opiniões, pontos-de-vista, críticas e sugestões. As empresas descobriram a eficácia dessa mídia social e logo trataram de utilizá-la para estreitar o relacionamento com o consumidor final.

Antes de aplicar qualquer mídia social, é necessário rever os objetivos do plano de comunicação da empresa e se perguntar: “por que eu preciso de um blog corporativo?”. Se realmente houver a intenção de criar um, o porta-voz responsável pelo conteúdo deve, acima de tudo, ter transparência. Esse canal é mais do que público, ele é completamente vulnerável a qualquer tipo de resposta em decorrência do que for escrito. Exemplos citados durante o debate, como Datasul e Tecnisa, mostram que há êxito ao abrir um espaço online como esse. Contudo, é importante observar que ser transparente não é apenas omitir informações comprometedoras ou ocultar notícias que ferem a imagem da empresa – mais cedo ou mais tarde a mídia ou o próprio consumidor acaba descobrindo -, mas também permitir que o canal esteja aberto para qualquer grandeza de manifestação (na maioria das vezes através dos comentários). Cabe à empresa responder de maneira diplomática e respeitosa quando uma situação desse porte ocorrer.

A transparência também deve estar atrelada à maneira como ela é transmitida. Foi o que não aconteceu com o blog do Wal-Mart que, apesar de não ter tido a intenção de enganar seu público, teve sua credibilidade (e o da agência também) comprometida. Mesmo sendo crucificada pela mídia por criar um flog (fake blog) – e consequentemente classificada como um PR disaster -, a rede de supermercados soube admitir seu erro e pedir desculpas pela falha de comunicação. A lição aprendida é que, mesmo com fracassos que podem ficar eternamente expostos na cauda longa da internet, a transparência ainda é uma arma eficiente para calcificar crises como esta.

Parece até uma receita de bolo, mas é como toda empresa deveria se comportar. Como nem tudo na prática é igual ao sonhado em teoria, os problemas podem ter consequencias desastrosas. Não adianta em nada criar um blog corporativo se a pessoa ou departamento responsável não se dá o trabalho de monitorar a interação e reação de seus clientes. Nesse ponto, chegamos até a supor o seguinte: seria ideal a Vivo – apenas para ilustrar as operadoras de Telecom em geral – criar um blog para seus consumidores se ela mal consegue coordenar o principal canal de relacionamento com seu consumidor, que é o telemarketing? (imaginamos até o blog inacessível e com o servidor congestionado por causa das inúmeras visitas)

Também não é possível falar de transparência sem tocar na ética. Foi o início do debate (já no segundo round do NewsCamp, logo após o almoço) para jornalistas e blogueiros discutirem sobre o jabá. O nome, que soa feio e machuca a moral da maioria dos profissionais de comunicação, é um velho tabu que apenas mudou de cenário, pois a sua prática é a mesma. O safari urbano foi lembrado durante a conversa, não como jabá mas como uma ação duvidosa para divulgação de um novo produto ou serviço. Até que ponto esse tipo de ação com blogueiros é favorável tanto para eles como para a própria empresa? É suficiente esclarecer no blog do participante que a doação do produto para teste e os outros “benefícios” durante a ação em nada comprometem a credibilidade – também de ambas as partes?

É exatamente o que acontece entre empresa e imprensa. Arcar com todas as despesas de viagem e hospedagem do jornalista para que ele fale sobre um evento é considerado um jabá? Talvez sim se o jornalista em nenhum momento informar que a empresa pagou suas despesas e, ainda por cima, a empresa pedir para que ele fale bem dela durante o evento, denegrindo a imagem de seus concorrentes. Aceitar o produto como brinde para testá-lo ou uma viagem de cortesia são atitudes que dividem opiniões, mesmo quando essas ações são explicitamente divulgadas ao público. O post pago também veio de encontro ao calor da discussão: mesmo seguindo a premissa do publieditorial, a credibilidade do que está sendo comentado fica a mercê da desconfiança do consumidor. Sugiro a leitura do post da Samantha, que soube descrever muito bem sobre ética, blogs e monetização.

Algumas questões permaneceram reticentes ao final do debate sobre empresas e blogueiros. Apesar de ser uma das mídias sociais mais fortes na internet nos dias de hoje, é a única mídia com que se pode trabalhar? As empresas, em conjunto com as agências, estão se preocupando demais em se relacionar com o blogueiro, quando na verdade deveriam focar em seu real público-alvo, o consumidor final; o blogueiro é apenas o intermediário, a mensagem não pode parar nele. A bolha vai estourar logo? A blogosfera cresce rapidamente e toma proporções que não podem ser medidas. Ela está ajudando as empresas a estreitar o relacionamento com seu clientes, agilizando o processo de comunicação através de um único canal: a internet. Mas até quando?

Padronização de formatos
Também foi discutida a oferta de vários formatos diferenciados das mídias digitais. A mídia tradicional (impresso, TV e rádio) acostumou o anunciante a delimitar suas opções, dificultando o entendimento entre agências e sites. Além dos formatos não terem uma padronização, a mídia em si se aprimora (rich media banner é um bom exemplo), tornando o leque mais complexo ainda. Como precificar ou, pelo menos, saber se tal formato possui um preço justo?

Falta de mão-de-obra?
Gil Giardelli colocou em pauta os novos cargos que estão surgindo no mercado online. São oportunidades de trabalho da web 2.0 que exigem muitas funções. Será que esse profissional dinâmico existe ou a empresa não sabe o que está procurando?

Espero ter falado precisamente sobre todos os temas discutidos durante o nosso encontro. Ao meu ver, foi um evento produtivo que conseguiu formar um panorama – mesmo que offline – sobre o mundo digital e como o mercado (empresa, agência, cliente, blogueiro) está trabalhando para melhor se adaptar e, assim, criar um laço de relacionamento mais forte e o mais saudável possível.

José Brandão & Jacacarambola

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5 Respostas to “NewsCamp edição II: saldo final”

  1. Eduardo Vasques Says:

    Brandão, colocações bem pertinentes!
    Valeu
    Abraço

  2. Gilberto Pavoni Junior Says:

    Taí. Tudo q foi discutido. Parabéns.

  3. Balanço da segunda edição « NewsCamp Says:

    […] Jaca Carambola, de José Brandão: NewsCamp edição II: saldo final […]

  4. Carol Says:

    Ótimas colocações!
    O evento foi muito interessante, eu não sou muito fã do modelo de desconferência mas admito que esse foi um dos melhores que eu já fui!

    Também fiz um post sobre o evento, mas não chegou aos pés. Blé.

    Beijo

  5. ceilasantos Says:

    Olá zé, tudo bem? te espero no newscamp III, que acontece 19 de julho, no mesmo lugar do passado. faça já sua inscrição. bjkas e inté lá

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