Tata: tudo menos nano

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O mundo inteiro ficou sabendo essa semana da compra da Jaguar e Land Rover pela Tata Group. O que será que os clientes desses carros luxuosos estão pensando sobre essa aquisição? Será que bate aquele sentimento de desvalorização: uma empresa que lançou o automóvel mais barato do mundo (talvez daí tenha vindo o nome Nano – só US$ 2.500,00) agora é dona das marcas de carro mais tradicionais – e uma das mais caras – do mundo. Mas creio que isso não seja problema algum.

A Tata Group não é famosa só pela fabricação de automóveis. O grupo dispõe de uma variedade ampla de produtos e serviços, desde relógios até hotéis, sem contar o que eles oferecem para a indústria. Esse deveria ser o lema de toda organização: diversificação. Entendo que a administração de tantos produtos/serviços de vários segmentos pode acarretar até uma complexidade na viabilidade de negócios; uma das alternativas é dar ênfase a tal segmento e deixar os outros em segundo plano (caso o primeiro venha a ter problemas). Claro que esse tipo de resolução depende muito do portifólio da organização (cito mais uma vez a Unilever, que só de uns tempos para cá começou a se preocupar com a marca-mãe).

Pelo que estava lendo no press release oficial, a Ford ainda vai manter certos serviços mesmo após a venda das duas marcas:

As part of the transaction, Ford will continue to supply Jaguar Land Rover for differing periods with powertrains, stampings and other vehicle components, in addition to a variety of technologies, such as environmental and platform technologies. Ford has also committed to provide engineering support, including research and development, plus information technology, accounting and other services.

Entendo por aqui que o processo de “transferência” será longa. É o mesmo processo de uma fusão: adaptação, remanejamento (alguns preferem falar em reengenharia e até em downsizing, o que eu acho fútil; temos de ser simples, para que complicar?) de pessoas, choque de culturas organizacionais, transferência do know-how de tecnologia de uma corporação para a outra e assim por diante. Como a notícia é muito recente, ainda não há indícios explícitos da mudança – pode até ser que não tenha alteração alguma, apenas a aquisição como parte da história do grupo. Entrei nos sites para dar uma bisbilhotada, mas tanto a Land Rover como a Jaguar continuam as mesmas, a princípio.

Mas também sabemos que essas duas filhas estavam dando muito trabalho e prejuízos monstruosos para a mamãe Ford. Só em 2006, o dinheiro que desceu pelo ralo somou a irrisória quantia de US$ 12,7 bilhões. O objetivo da Ford agora é se concentrar no mercado norte-americano e tentar retomar sua competitividade. Não é para menos que a Ford vendeu ambas as marcas por US$ 2,3 bi, valor aproximado que ela adquiriu a Jaguar na década de 80 – e logo mais a Land Rover pelo mesmo valor. Talvez seja desespero, pois não vejo outra justificativa em vender duas marcas tão importantes – apesar de terem um custo muito alto, convenhamos – pela metade do que foi adquirido na época.

Fica a reflexão desse post: até que ponto vale a pena investir na imagem de uma marca?

P.S.: minha inspiração também teve origem do post da Suzana Cohen. Vale a pena também refletir sobre a entrada de novos produtos/serviços em um país – já estou imaginando as pessoas passeando de Nano nas ruas já superlotadas de São Paulo. No caso dos automóveis, devemos levar em consideração a viabilidade e ter ou não carros mais baratos. Não deve ser só uma preocupação do governo por causa da falta de estrutura, as empresas também têm de pensar no que isso pode acarretar em suas vendas – mas é difícil… capitalismo selvagem.

 

José Brandão & Jacacarambola

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Uma resposta to “Tata: tudo menos nano”

  1. suzanacohen Says:

    Será desespero?

    Sobre os nanos da vida, deveriam ser todos ecológicos!
    E obrigada pela referência🙂

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