Informação de graça não é só na web

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Fico inquieto quando não tenho nada nas mãos para ler quando estou no ônibus – no metrô é sempre mais rápido, então nem me preocupo. Só as músicas do meu MP3 player não me satisfazem completamente. Mesmo tendo algum livro na minha bolsa de carteiro, às vezes não é exatamente o que eu quero ler; é praticamente uma preguiça literária, de que você só quer ler textos rápidos, sem compromisso e que não exigem aquela concentração.

O Metrô News, ao meu ver, foi o primeiro a fazer com que essa preguiça literária fosse sanada rapidamente. O problema era saber onde pegar o bendito exemplar. Parecia uma conspiração universal: todos estavam com o jornal na mão, menos você – da Barra Funda ao Itaquera. Depois descobri que não eram em todas as estações em que ele era distribuído.

Com um editorial um pouco mais elaborado – assim como a diagramação do jornal também -, chegou o Destak para fazer concorrência, não com o Metrô News (na minha opinião, o objetivo dele é ser circulado dentro do metrô, não fora dele), mas com o Estado e a Folha. Concorrência? Sim, no conceito de que informação pode ser de graça não só através da internet (ou quando você pára na banca e lê a capa desses mesmos jornais).

O Publi Metro, que a princípio todos confundiam com o Metrô News (o que um acento não faz, hein), resolveu dar suas caras na cidade paulistana, brigando com o mesmo espaço do Destak: as entradas e saídas do metrô e os faróis das ruas adjacentes. Se levar em consideração o fato de que o Metro é o último dos moicanos, chega a ser um plágio descarado quando você lê as manchetes, o resto das notícias e, se der tempo, quando você observa o layout do jornal – o verde e o vermelho das logomarcas são arquiinimigos mortais nessa disputa entre os dois veículos.

Chega a ser “paradoxal” (não me agüentei quando ouvi a Sheila Mello usar essa palavra semana passada em um desses programas estilo Amaury Júnior; o pior é saber que ela já usou antes – penúltimo parágrafo), pois o objetivo é entregar informação às pessoas que, na correria do dia-a-dia, não têm tempo de se inteirar com o mundo das notícias, ou também não têm acesso à internet. Apesar de que, hoje em dia, quem é que não tem acesso a internet? Seja de casa, do trabalho ou da lan house, invariavelmente quase todos acessam a rede mundial de computadores.

Mas é outro ponto que quero abordar. O fator principal não é o acesso à internet, e sim o fato de que as pessoas só lêem esses jornais quando estão se locomovendo ao trabalho, quando estão correndo no meio da rua e pegam o jornal da mão do entregador, quase rasgando metade da folha. As pessoas não páram para lê-los porque estão com tempo sobrando. Tudo bem, não quero generalizar, mas acho que boa parte das pessoas só lêem na hora do almoço ou quando vão engolir um café em cinco minutos. Quando você chega no trabalho, você já pensou em acessar um desses jornais para ler as últimas notícias do dia? Ou pelo menos sabia que existia site para cada um deles? Creio que a maioria costuma acessar os portais mais conhecidos (UOL, Terra, iG) – isso quando você já não tem cadastrados no seu browser os feeds. Bom, se as pessoas não sabem que o site existe, se já sabem mas preferem ler o jornal no ônibus ou quando o semáforo está no vermelho, não é exatamente do que eu quero falar. Já que o blog aqui trata de marketing digital, vamos falar dos websites.

O Destak, na minha opinião, é o melhor. Design despoluído – “clean” para os gringos – e, claro, possui o mesmo conteúdo do jornal. O que se pode notar de diferente são os fóruns de leitores, porém não muito atraentes no conteúdo postado – apenas a foto inicial chama atenção. Há também a opção de receber o jornal por e-mail, mas achei estranho pelo e-mail de confirmação ser em espanhol. Como qualquer outro site, também tem a seção de publicidade com os formatos de páginas e seus respectivos preços.

O Publi Metro, por outro lado, não publica o conteúdo do jornal, apenas a edição do dia em PDF. Mostra quais são os lugares em que é feita a distribuição e só. Há uma guia para você ler as edições anteriores, mas o caminho se perde no site do MetroPoint. Se você não lê inglês, pode parar por aqui. Se você sabe, também não vai conseguir sair daqui: clicando no “get your metro”, você é direcionado para outro link do mesmo site, só que agora com todos os países participantes. Enfim, não gosto muito de brincar de caça ao tesouro, então parei por aqui também. Tem uma breve história do Publi nos outros países, quando circulou o primeiro jornal gratuito no mundo etc., etc. e etc. Acho que o Grupo Bandeirantes não está dando a devida atenção para esse canal, mesmo que o público-alvo principal não seja o internauta.

O Metrô News, apesar de seu site ser pobre visualmente, não deixa a desejar nas informações. Tem os links de cada cadernos com as principais (ou as únicas) notícias e, logo abaixo, a relação das notícias anteriores. A simplicidade se torna praticidade: na área de publicidade, você escolhe se quer noticiário, classificados, encartes e assim por diante; basta clicar e uma janela vai pipocar no seu monitor com os detalhes pedidos. Para completar, há as guias com os dados do editorial, distribuição e descrição dos cadernos.

Deixando um pouco de lado a informação útil – o que eu vou falar a seguir não chega a ser tão inútil -, a revista Pix inova no conteúdo que é distribuído junto com os cartões-postais (eu sou um colecionador aficcionado, não posso ver um display que já saio correndo em direção). Tanto a revist(inh)a como o site se mostram bastante modernos, com assuntos dos mais variados e também dos mais bizarros-engraçados-inúteis. Independente da bizarrice ou da inutilidade (que, cá entre nós, é só para nos divertir durante nossa curta falta de tempo) dos assuntos, todos eles prezam pela internet. A participação dos leitores é uma peça importante na interação da revista com seus usuários. No site, infelizmente, não tem a versão em PDF da revista – talvez a estratégia deles seja atrair públicos cujo perfil seja colecionador de cartões-postais.🙂

Quem sabe, num futuro próximo, todas as pessoas que não conseguirem pegar o exemplar do jornal pela janela do ônibus, possam acessar de seu celular o mesmo conteúdo no site do jornal. A necessidade da internet limita-se à vontade do indivíduo em participar dela. Em ambos as situações, as oportunidades de dar visibilidade para sua empresa – agora pensando que você vai anunciar em um desses veículos – é grande: tanto as pessoas que saem do metrô correndo, mas que não deixam de pegar o jornal, e aqueles que preferem sentar na mesa do escritório e ler as notícias na internet.

José Brandão & Jacacarambola

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2 Respostas to “Informação de graça não é só na web”

  1. ana laura gomes Says:

    zé! (é assim q vc gosta de ser chamado?)
    muito legal isso de ler “digest”. parado dentro do carro no trânsito tb é ótimo! e isso vem de longe… http://www.rd.com/
    o lance é que o “de graça” é relativo, pq dentro do carro/metro/busão, acessar a internet ia sair uma pequena fortuna… o dia q for “de graça” de fato ou custar tanto quanto um jornal, vai ser diferente… bem diferente…
    bjs
    ana laura
    ps – mas eu morri de rir com o site de bobagens!! hahahaha

  2. Says:

    Ana, pode me chamar de Zé mesmo. Adoro a Reader’s, já que você citou.🙂
    Um ponto importante que você levantou: o acesso a internet via celular ainda é muito caro e muito deficiente também – não por causa dos aparelhos, das operadoras mesmo.

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