E-scritores de plantão

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Minha sogra, em seus 50 anos de pura vitalidade, adora escrever crônicas em seus tempos vagos (só porque ela é aposentada não quer dizer que ela não faça nada o dia inteiro). Para qualquer escritor, ainda mais para aqueles iniciantes, o sonho de se tornar um autor famoso e encher as estantes das livrarias com milhares de exemplares é difícil de se alcançar, e não é por falta de vontade.

Há algum tempo, ela chegou a enviar uma seleção de suas histórias para uma editora/livraria bem conhecida no mercado, e a proposta apresentada a ela foi: três mil reais para vender a quantia de 250 unidades. Okay, entendemos o lado da editora que precisa arcar com o custo de edição/publicação/impressão dos livros – quem sabe até do lançamento do livro na loja, com direito a cafezinho -, mas é uma proposta com valor descomunal e impossível de se aceitar, pelo menos para minha sogra.

Eis que um dia, pelas andanças na internet, ela encontrou o Recanto das Letras. Mesmo com as limitações das assinaturas que permitem criação de blogs, sites e afins, ela se sentiu maravilhada pela possibilidade de publicar seus livros por e-books (ela ainda me perguntou: “Zezinho, o que quer dizer esse e-livro aqui?”). Ela, na verdade, já tinha uma versão convertida em PDF (com a ajuda de seu filho querido) guardada em seus arquivos, caso ela precisasse enviar para alguma editora. Com essa novidade no ar, ela já se colocou a postos para escrever uma sinopse e espalhar a boa notícia aos seus familiares e amigos virtuais.

É fato: e-book, assim como o mp3 foi, é uma tendência cada vez mais próxima de nossa realidade. Ainda é cedo para dizer adeus aos livros físicos – eu mesmo sou resistente aos ditigais, acredite se quiser. Aliás, não creio que os livros vão desaparecer e desencadear um colapso literário e comercial entre autores, editoras e livrarias. Deve haver os dois, sempre para satisfazer o desejo e a conveniência de cada tipo de consumidor.

Por falar em conveniência, a Amazon já dispõe de um leitor de e-books (uma ótima idéia para mim, pobre mortal e pedestre que depende de transporte coletivo nessa cidade paulistana “caotizada” pelo trânsito), apesar de não ter visto lá nenhuma versão digital de livros convencionais – os pocket books, por exemplo. Essas versões digitais estão disponíveis como kindle books, exclusivos para serem lidos nesse leitor (será um iTunes de livros?). Quem também não quis ficar para trás foi a Sony, que lançou seu portátil Sony Reader. Se regressarmos um pouco no tempo, nada disso é novidade: os palmtops conseguiam suprir parcialmente a leitura de arquivos de texto.

Por enquanto não vi nenhuma livraria ou loja de departamento brasileira se mexer para se adequar à “e-volução” dos e-livros. Claro que isso vai depender das editoras em disponibilizar as versões digitais para elas. Quem se arrisca primeiro? Ou melhor, quem já souber de alguma delas, me avisa por favor.

Bom, para quem ainda aprecia o velho e bom livro de papel, mas sem perder a comodidade e praticidade que a falta de tempo proporciona, o Google Pesquisa de Livros é uma boa referência antes de comprar um livro só porque achou a capa ou o título atraente. Aqui, além da sinopse e a relação das lojas (brasileiras!) que vendem o livro, é possível ler trechos ou páginas em versões digitalizadas.

Ah! E quem quiser ler alguma crônica da minha sogra, me avisa que eu peço permissão a ela para compartilhar a leitura.🙂

José Brandão & Jacacarambola

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