Turismo: é difícil aceitar o mundo online

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Eu estou inconformado. Eu fico inconformado. Do total do meu budget de marketing, 31% é destinado para impressão de material de vendas. Material de vendas que vai ser jogado no lixo quando o operador ou agente de viagem (já devo ter falado que trabalho em uma rede de hotéis) passar pelo stand. A matemática se torna mais revoltante quando olho o calendário de eventos dos gerentes de contas e a soma pára em quase 30 no ano, desde feiras até workshops – mas sem contar as sales blitz que eles executam durante ou após esses eventos.

Sei que é injusto abordar dessa maneira um gasto que é normal para qualquer empresa, ainda mais quando se trata de Turismo. Mas eu tenho minhas resistências com o papel – eu venero o mundo online!

Vamos começar pelo canal de distribuição: o cliente fica interessado no hotel, vai à agência para comprar o pacote terrestre + aéreo. A compra pode parar aqui, caso a agência fique responsável pelo processo de emitir os vouchers diretamente com o hotel e a companhia aérea. Caso contrário, ela recorre à operadora de turismo que, por sua vez, assume o trâmite de confirmar e reservar. Todo esse processo podia ser reduzido entre hóspede e hotel: ele entra no site e escolhe o período em que quer ficar; depois entra no site da companhia aérea e reserva a passagem. Se mesmo assim o caminho for tortuoso e difícil, as agências “virtuais”, chamadas de eTravel Agency ou eChannel, cumprem o papel de intermediar ambos os serviços. Quer comodidade maior do que confirmar sua estada no hotel pelo seu celular? Ok, lendo desse jeito parece um conto de fadas, mas o futuro é esse, sem dúvida.

jby0103l.jpgAs pessoas ainda têm receio de comprar online. E não é diferente com o Turismo, quando o hóspede quer “tocar” o hotel (fotos no site são para enfeitar a página, tem que olhar o catálogo com as mesmas fotos; as informações técnicas são muito extensas, é melhor perguntar tudo para o agente), quando quer ter nas mãos a passagem emitida no balcão do check-in (para que existe o e-ticket?). Essa “cultura offline” consequentemente contamina agências e operadoras. Vai em uma feira? “Cadê o material? O que eu vou mostrar para eles, o meu sorriso?”. (essas piadinhas infames me irritam às vezes)

Já que todos os eventos são voltados para agências e operadoras, logo o que eles mais desejam é material. Parece aquelas pessoas que visitam a Fenasoft (a título de exemplo, pode ser qualquer uma) só para pegar os brindes e sacolas de cada stand… é para colecionar? No final das contas, o principal objetivo desse tipo de evento é visitar os stands das operadoras e das agências para divulgar e esclarecer o produto do hotel e até mesmo reatar relações comerciais. A troca de cartões de visitas se torna mais importante do que o próprio material de vendas. Qualquer negociação fechada tem sua continuidade através de e-mails: envio de propostas, tarifas, promoções – as benditas promoções que os gerentes de contas pedem para imprimir!

No entanto, não quero dizer que o impresso é menos importante do que o não-impresso, mas sonho com o dia em que todos os participantes de uma feira estiverem com seus notebooks ligados, recebendo e enviando e-mails, mostrando o site de seu hotel/operadora/agência, trocando apenas cartões de visitas para posteriores contatos. Folder? Brochura? Catálogo? Vamos pensar no desperdício de papel, minha gente! (ok, ok, ok… sonhar ainda não paga imposto)

Fico tão feliz quando executo uma campanha de e-mail marketing. Pergunto para Vendas o que eles querem divulgar, qual é o melhor timing, preparo o briefing para a agência, coleto o mailing de clientes com os gerentes de contas e devolvo à agência para disparar o envio. E ponto final. Se há interesse, eles já entram em contato direto com a Central de Reservas; se há dúvidas, eles entram em contato com Vendas. Não gastei com passagem aérea e reserva de hotel, nem com inscrição para feiras e workshops.

Mas falando desse jeito, pareço muito radical e simplista – como se planejar e executar um e-mail marketing campaign também fosse a coisa mais fácil do mundo. É óbvio que um e-mail marketing não vai suprir o trabalho de Vendas que é a prospecção de novos negócios – e manter aqueles que estão indo muito bem. Só digo que poderíamos utilizar muito mais essas ferramentas que agilizam o processo de ambos os lados. E viva o mundo online!🙂

José Brandão & Jacacarambola

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2 Respostas to “Turismo: é difícil aceitar o mundo online”

  1. Beatriz Says:

    Esses internerds viu…
    Ahahahahahah!
    Brincadeira… eu com toda a minha visão ambientalista concordo com o disperdício de papel… aliás, vc já reparou isso, creio eu. Realmente tudo vai pro lixo, no dia seguinte. Se não, depois de uma semana, um mês, no máximo. Sou completamente a favor do marketing digital assim como qualquer outra coisa digital… rsrs! Me fala: pra que guardar um milhão de papéis em arquivo se vc pode deixar tudo salvo em um back up???? Aaahh não gente… pára tudo! Viva o mundo online meeeeeeeesmo!
    Beijos

  2. Mala direta: o destino pode ser o lixo « Jaca Carambola Says:

    […] com o desperdício de impresso que as empresas insistem em investir. Já falei sobre isso (mais nesse post e um pouco nesse aqui), mas repito minha resistência ao papel: estamos em um mundo cada vez mais […]

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