MTV e FIZ: inversão de papéis

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Foi-se o tempo em que eu não desgrudava os olhos da MTV. Se hoje eu páro nela, é porque eu realmente não tenho o que assistir – mesmo com a variedade de canais da TV paga.

MTV no começo da década de 90 – no Brasil, claro, sempre com aquele leve atraso – foi uma (r)evolução para música. Não que não existisse videoclipe antes disso, mas o interesse se tornou mais expressivo nessa época: você já estava com a fita VHS prontinha para gravar o clipe da sua banda favorita. Assim começava a sua coleção de vídeos musicais.

Ainda sem ter muita noção do quão útil seria o DVD em nossas vidas – o CD ainda era a fonte de armazenamento mais vantajosa -, vivia caçando meus videoclipes favoritos na internet, vídeos que ironicamente eram gravados da MTV e convertidos digitalmente. E tenha paciência… 70 megabytes para 3 minutos de música. E também tenha espaço no HD de apenas 4 gigabytes. Entretanto, mesmo tendo minha coleção digital, não deixava de assistir à MTV, pois ainda era uma honra ver os meus clipes favoritos em programas como Lado B ou mesmo no Top 20 Brasil.

Já com a internet um pouco mais rápida e principalmente com o surgimento do YouTube, a MTV pareceu entrar em crise. Eu já tinha deixado de assitir fazia tempo, pois minhas bandas preferidas ficaram perdidas na nostalgia (além do meu HD, claro). Nossa geração acaba, o público muda, a tecnologia avança. Das vezes que eu passava pelo canal de música, para meu espanto, não havia mais música, só programas de auditório. “O videoclipe não pertence mais à televisão. Ele está ligado ao mundo digital e outras mídias atendem melhor a essa demanda.” Da TV para a internet. Essa foi a saída que a MTV Brasil encontrou: lançou o Overdrive no seu site; aqui você é o VJ, você faz sua programação, toca o clipe que você quiser. (na minha opinião VJ mudou de significado: hoje não passa de um apresentador de talk show)

Deixando a MTV de lado, mas seguindo o mesmo caminho da falta de opção dos canais fechados, me deparei com o FIZ.TV. A princípio, achei a idéia legal, bem experimental e que dá oportunidade para aqueles que querem se destacar de alguma (ou qualquer) maneira na TV. Mas como eles conseguiam essa proeza? Ligando para o 0800 ou enviando uma fita demo para a caixa postal 1234? Foi aí que eu me dei conta. O canal é uma segunda etapa do processo de interação entre o internauta e o site: você faz o upload do seu vídeo, vota nele (e faz aquele “e-mail marketing” para que todos os seus amigos votem também, mesmo contra a vontade deles) e, se ele ganhar, é transmitido no canal de TV.

Por isso digo que é uma inversão de papéis, pelo menos no que diz respeito ao processo de transmissão: MTV, que tem TV até na sigla, transferiu toda a sua audiência para a internet; FIZ, que apesar do “.TV”, é um site que utiliza a TV como canal secundário para interagir mais ainda com seu público.

E quando estivermos completamente aptos a utilizar a TV Digital, os papéis até então invertidos regressarão à sua forma original? Pois em um mundo em que a convergência de mídias é capaz de misturar água e óleo, o que será mais interessante: continuar só na web 2.0 que, por sua vez, estará ao mesmo tempo na TV?

Essa é apenas uma abordagem que com certeza anima – ou preocupa – empresas que tradicionalmente veiculam na mídia televisiva e/ou que já se dão bem ao anunciar online. A chegada da TV digital ainda se encontra no seu estágio de gestação, pois por enquanto a única preocupação aparente para os consumidores é a alta definição (“será que eu compro Plasma ou LCD?”) e o valor abusivo dos conversores de sinal. Quando ela chegar ao seu “nascimento”, os anunciantes poderão sentir o verdadeiro impacto, seja ele positivo ou negativo.

Se a idéia de conectividade e interatividade entre um aparelho de TV e um computador parece remota ou até mesmo inviável, já podemos discordar se ressaltarmos a nova era dos vídeo-games que encurtam a distância dos jogadores por um simples fio de joystick. Quem sabe não tenhamos logo essa oportunidade de interagir com o controle remoto.

José Brandão & Jacacarambola

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Uma resposta to “MTV e FIZ: inversão de papéis”

  1. Na hora do intervalo « Jaca Carambola Says:

    […] falar a verdade não quero me estender muito nesse assunto (já até falei um pouquinho em outro post). Se o preço dos conversores vão baixar, se as televisões de plasma têm […]

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