3G: vamos ficar só no SMS?

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Em um país como o nosso, onde a tecnologia sempre chega atrasada, 3G ainda é uma luz bem longe de se alcançar no fim do túnel. Posso até parecer pessimista, mas toda vez que penso em demanda potencial para celulares como o smartphone, me vem à cabeça aquele número estatístico de que a maioria dos planos adquiridos são pré-pagos. Como aproveitar toda a diversidade de funções da 3G se o consumidor mal consegue arcar com um plano pós-pago?

Uma das principais entraves para o plano pós-pago é a carência – ou fidelidade, como as operadoras costumam dizer para enganar seus clientes – para justificar o subsídio que elas têm com as fabricantes dos aparelhos (o que eu acho um absurdo, já que deveríamos ter o direito de escolher o aparelho e a prestadora de serviço separadamente). O período nunca é menos do que 1 ano; se atreva a cancelar antes do que está estipulado em “contrato” e a multa pró-rata é uma arma perigosa contra você.

O iPhone é um exemplo típico da evolução da 3G no mundo; explodiu de vendas nos Estados Unidos e está chegando aos poucos na Europa. Por que não chegou no Brasil ainda? A Vivo consegue explicar esse fator muito bem: “Eles querem compartilhar receitas, mas por que eu vou compartilhar minhas receitas (de serviços) com uma empresa que só vende a infra-estrutura (aparelho)?”. Acho que isso justifica minha opinião de que aparelho e serviço não deveriam andar de mãos amarradas.

O que resta então? Os planos pré-pagos, a salvação dos consumidores brasileiros. Segundo dados do Teleco, o Brasil terminou o último mês de 2007 com 120,98 milhões de celulares, porém 80,62% são pré-pagos. Paremos aqui: onde está o potencial para pós-pagos? Não faz sentido pagar em média R$ 1.500,00 em um celular que provê plenamente toda a tecnologia da 3G (lê-se: recursos de áudio e vídeo através da internet que até então só são possíveis em um PC) só porque você não quer um plano mensal atrelado ao aparelho, sendo que com esse mesmo montante você consegue comprar um computador – aliás, hoje em dia já é possível comprar notebook.

Nos Estados Unidos, dos 250 milhões de celulares, 22 milhões já utilizam banda larga móvel. Na Europa, 3G já funciona desde 2003. Nem quero citar o Japão, que já chegou a quase 55 milhões aparelhos com W-CDMA em 2007.

Vejo uma discrepância: com tantas perspectivas positivas com o advento da 3G, a previsão de envio/recebimento de torpedos SMS chegará a 2 trilhões em 2008. Por que não poderíamos já pensar em tráfego de e-mails e acesso à internet? As estratégias de mobile marketing vão ficar presas somente em torpedos SMS?

Infelizmente a telefonia celular no Brasil ainda é precária, tanto no que diz respeito a infra-estrutura como avanço tecnológico; é precário quando pensamos que a oferta é pequena e a demanda, crescente cada vez mais, se vê cercada por poucas escolhas e nada pode fazer para exigir um serviço de melhor qualidade.

José Brandão & Jacacarambola

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