História de um nostálgico dos anos 90

by

Salvador Dali

Parabéns! Você que nasceu em 1990 completará ou já completou 18 anos em 2008. Agora são seus avós – alguns já têm avós, ué – que sentem saudades da nostálgica década de 80. Quando você nasceu, os computadores já não eram mais gerenciados pelo MS-DOS (era uma tela preta, cheia de letrinhas verdes… pergunte para seus pais), pois criaram o Windows 3.11 – a primeira versão com interface colorida. E o processador? Pentium 166MHz com 32Mb de memória RAM. Sim, você que está acostumado com Gb, Mb parece até impossível. Mas para que tanta coisa, se a gente nem sabia direito o que era internet – nossas linhas telefônicas eram analógicas, demorou para elas se tornarem digitais. Pelo menos uma palavra que você sabe o que é: digital. TV digital, câmera digital, música digital, e por aí vai. Bom, voltando para o computador, as coisas começaram a surgir aos poucos: gravador de CD, provedor de internet, ICQ (I Seek You, mas não adianta explicar o trocadilho, você não vai lembrar mesmo), bate-papos nas salas do UOL, MP3, Napster… nada veio com tudo, ao contrário dos dias de hoje. E o nosso medo do bug do ano 2000?

Hoje você tem um pen drive de até 2Gb, ou até um de 4Gb (tem um da Sony com 8Gb que se compacta e expande até 24Gb, mas com certeza você já sabe disso). Quando você nasceu, tinha o disquete (ou inglês, floppy-disk). Era frágil, não podia amassar, molhar, dobrar, ficar em lugar úmido ou quente… tão indispensável que se pegava vírus (e não era através da internet, acredite se quiser), o desespero tomava conta. Também, imagine perder 1Mb de um documento do Word 5 (você deve se lembrar só da versão 2001 em diante)… muito alarde pra pouca coisa? Claro, é pouca coisa comparado com seu notebook cujo HD tem 180Gb. Quando lançaram o WinZip, ficamos tão felizes, pois podíamos “expremer” nossos arquivos, já que o HD de 4Gb do “Lentium” 166 estava quase no fim. O monitor começava a ficar velho, a tela escura – a gente bem que tentava ajustar as cores rolando (e não apertando) os botões, mas não adiantava. Depois que lançaram o de 17″, o de 14″ parecia tão pequeno. LCD? A TV sequer era plana, o máximo que a gente tinha era tecla SAP e “magic eye”. E pensar que hoje você tem um monitor de tela plana, finíssimo, alta resolução (quantas milhões de cores?). Sua TV deve ter mais de 29″, também com as mesmas definições do monitor, claro. Mas pra que TV? Usa o seu monitor pra assitir os filmes que você gravou no DVD, dá na mesma!


E por falar em DVD, que evolução! A gente comprava tanto VHS pra gravar os filmes da TV, mesmo porque o máximo era 2 horas. E quando a gente ia na locadora, só tinha a versão dublada… odeio filme dublado! Depois de um tempo começaram a vender o Home Theater, um monte de caixas de som penduradas nos cantos da sala pra dar aquele efeito de “surround sound”… muito caro na época. O melhor era conectar o som da TV no “mini-system”. Hoje você ainda tem um rádio no seu quarto, ou você ouve tudo do computador? Lembro que nosso sonho era ter um aparelho que tinha entrada para 3, 4 CDs – chamavam de carrossel porque o rádio tinha uma plataforma giratória para colocar todos os CDs. Você se pergunta: “nossa, pra que tanto CD?”. É que agora você tem o MP3 player; aliás, é a mesma coisa que pen driver, não é? E tem aquele iPod também, cabe quantas músicas mesmo? Ah, você não sabe… quer dizer, depende do bitrate da música. Mas tem também o MP4, M4a, OGG… não sei pra que tanta sigla.

Chega de computador! Vamos falar de video-game. Quando você nasceu, eu ainda jogava Atari – adorava o Pitfall, mas o controle sempre quebrava, o botão vermelho afundava. Depois veio o Nintendo, Mega Drive. Saudades do Mário e do Luigi, do Sonic também. Aí veio o Super Nintendo: Street Fighter e todos os jogos de luta da CAPCOM. Daí chegaram o Playstation e o Nintendo 64 com aquele bando de jogos em 3D, já me desinteressei. Agora você me ensina a jogar o Wii? Já vi que video-game não é mais coisa de criança. Se você quiser, eu te ensino a jogar o Mario Bros. – tem pra baixar na internet, não tem?

Tudo agora é convergência de mídias: TV com internet, internet com canal de TV, celular então… nem se fala. Pra falar a verdade, você nem sabe mais o que quer: um celular pequeno, slim (tão fino quanto seu monitor), que manda SMS (eu ainda costumo falar torpedo) , envia e-mail, entra na internet pra baixar música… seu notebook já não faz tudo isso? Ah, já sei. Vai que você precisa acessar a internet via wireless (wi-fi, sei lá como você fala) fora de casa. Só pra emergência. “Só pra emergência” era a minha desculpa pra comprar um celular. Eles eram tão grandes – ainda mais quando tinha que levantar a antena. Mas agora eu percebi que os celulares estão voltando a ficar grandes. São tão “tijolos” quanto os da minha época, mas ninguém reclama. Foi-se o tempo quando as pessoas queriam só falar no celular – aliás, não é o objetivo principal desse aparelho de voz?

Parece que foi ontem, mas para nós que nascemos no início dos anos 80, já se foram quase 20 anos desde quando você nasceu – eu sei, você é muito jovem pra pensar nisso, nem percebeu o tempo passar. Para nós, a evolução foi o CD – nem vou tocar no assunto do vinil, o famoso LP -, o computador “doméstico”, o início da internet discada (falar com alguém do outro lado do mundo pelo ICQ era instigante), o DVD (você deve ter pegado essa parte). Tudo isso em apenas 10 anos! E pensar que hoje as coisas mudam a cada dia e, sem exageros, exponencialmente. Você tem Facebook (só você se inscreveu, como o Brasil é atrasado, só pensa no Orkut), MySpace, Last.fm, Flickr (Fotolog já é coisa do passado), Google Desktop, tem seu próprio blog (mas esse ainda é da minha época, viu!), sua coleção de vídeos no YouTube e tantas outras coleções de tantas outras coisas que você deve ter listado por aí, nesse mundo infinito chamado Web 2.0.

TMI: Too Much Information. Será que existe essa sigla ou esse significado? Procura pra mim, por favor, por que já não sei mais onde e como procurar. Estou ficando pra trás. Aliás, estou ficando velho – e olha que eu não cheguei nos 30 ainda! – assim como meus pais. Engraçado como a gente não se conformava como eles não sabiam mexer no Windows 3.11, criavam aquela resistência pra entrar na internet… hoje é você que está no meu lugar. Hoje é você quem dá risada quando eu falo que preciso entrar na internet pra pagar minha conta de luz. “Pra que? Paga pelo celular”.

Fico imaginando quando você chegar na década dos 30, mas na década dos 30 de 2000. Falta pouco. Será que você vai passar por tudo isso que eu estou passando? Vai sim, pois você também vai ficar pra trás. A não ser que você tente correr na frente daqueles que estão nascendo hoje. Pra falar a verdade, acho bem difícil. Escreve o que eu tô te dizendo: você também vai escrever essa mesma história, só que dos anos 00. O tempo passa, a tecnologia avança, mas a nostalgia sempre vai ficar na memória – de qualquer um.

José Brandão & Jacacarambola

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